desabafo
Hoje, durante a madrugada, a RTP1 transmitiu um programa com canções de intervenção, que vi aos bochechos, integrado nas comemorações do 25 de Abril. Neste programa que, para já, passou a horas impróprias, descobri que “A formiga no carreiro” é uma canção da autoria de José Mário Branco (música e letra) e que “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” é um poema de Sérgio Godinho.
Se há coisa que me irrita é a constante falta de referência aos autores das canções que passam na televisão. A legenda limita-se ao título do tema e ao nome do cantor e, às vezes, pasme-se, à editora. Os autores são quase sempre esquecidos. Pois quando parece que a lacuna é corrigida, eis que demonstram um amadorismo e uma incompetência gritantes. E isto num programa em que participou, como intérprete, o presidente da Sociedade Portuguesas de Autores.
Wed 15-03-2006
três sílabas
De ti só quero três sílabas. Três sílabas de orvalho translúcido em madrugadas de corpos exaustos e tapetes de peles gastas de desejo. Três sílabas de caravelas impregnadas de rotas por inventar, atestadas de brisas cintilantes. Três sílabas de fomes saciadas, noite após noite, até nascer o dia tumultuoso. Três sílabas esculpidas no ventre das palavras pela cor amarga dos olhares desgarrados. Três sílabas caiadas na pedra gélida dos medos inauditos. Três sílabas que não se apaguem sob a luz curvilínea da liberdade. Três sílabas de cidade, de aurora, de oásis, de vulcão…
De ti só quero três sílabas, porque qualquer número de sílabas que me dês terá apenas três sílabas de universo, três sílabas que nada dizem separadas, mas que, juntas, dizem só o que fica por dizer.
De ti, poeta, só quero três sílabas: po-e-ma.
Wed 01-03-2006
actos falhados
Onde estava escrito feiras populares eu li freiras populares.
Fri 24-02-2006
dilema ornitológico
Não sei se fico ou se voo.
Sat 11-02-2006
caricatura
Depois de ir a Maomé, a montanha pariu um rato de sacristia e foi um Deus nos acuda.
Sat 28-01-2006
13 desaforismos
Na sequência do post anterior, pus-me para aqui a repensar provérbios. (As coisas em que um gajo gasta o tempo…)
Sintam-se à vontade para escavacar (ops!) mais alguns, ou remodelar os mesmos.
1. A brincar, a brincar… É que se vê quem é sério.
2. Entre marido e mulher só se metem bissexuais.
3. Cá se fazem, cá se apagam.
4. Quem tem telhados de vidro bronzeia-se em casa.
5. Grão a grão se forma um deserto.
6. Quem tem sorte ao jogo tem quantos amantes quiser.
7. Casa onde não há pão também não há bolos.
8. Em casa de ferreiro há muita ferrugem.
9. Com papas e bolos se apanham indigestões.
10. Quem o feio ama tem imaginação.
11. A cavalo dado não se olha à seringa.
12. Quem muito fala não é mudo.
13. Homem prevenido vale o que vale.
Tue 17-01-2006
fraquezas
Muitas vezes, ao reler o que escrevo, sinto ganas de apagar tudo… Infelizmente contenho-me.
