à beira-rio
Um rio acordou a madrugada
que no meu peito andava há muito presa,
e num caudal de assombro e de braveza
arrebatou-me a alma enlameada.
Um rio transbordou a barricada
que me tornava forte na fraqueza,
desorientou as leis da Natureza
e eu deixei de ser água parada.
Agrilhoei-me à força dessas águas
que souberam lavar-me antigas mágoas
e acalentar-me enfim o corpo frio…
Mas é nessa corrente que me solto.
Sou, desde que te bebo, mar revolto,
e tu, que me sacias, o meu rio.
26 de Outubro de 2004
3 comentários »
URI para TrackBack desta entrada:
http://metamorfases.blogsome.com/2006/05/06/a-beira-rio/trackback/
RSS feed para comentários nesta entrada.
comenta aqui
Quebras automáticas de linhas e de parágrafos, o endereço de e-mail não será publicado, HTML permitido:<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>

Lindo!
comentário de wind — Sun 07-05-2006 @ 22:09
Eu adoro os teus sonetos!!!
comentário de Paula Raposo — Tue 09-05-2006 @ 11:15
Belo! Todo belo.Sobretudo esse soberbo terceto final.
comentário de Márcia — Sun 13-08-2006 @ 13:58