metamorfases

Sat 06-05-2006

à beira-rio

Um rio acordou a madrugada
que no meu peito andava há muito presa,
e num caudal de assombro e de braveza
arrebatou-me a alma enlameada.

Um rio transbordou a barricada
que me tornava forte na fraqueza,
desorientou as leis da Natureza
e eu deixei de ser água parada.

Agrilhoei-me à força dessas águas
que souberam lavar-me antigas mágoas
e acalentar-me enfim o corpo frio…

Mas é nessa corrente que me solto.
Sou, desde que te bebo, mar revolto,
e tu, que me sacias, o meu rio.

26 de Outubro de 2004

publicado por fgs @ 02:28
na(s) fase(s) olha-me este armado em poeta, sonetices

3 comentários »

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  1. Lindo!

    comentário de wind — Sun 07-05-2006 @ 22:09

  2. Eu adoro os teus sonetos!!!

    comentário de Paula Raposo — Tue 09-05-2006 @ 11:15

  3. Belo! Todo belo.Sobretudo esse soberbo terceto final.

    comentário de Márcia — Sun 13-08-2006 @ 13:58

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