Adiós Nonino
Astor Piazzolla é um dos homens da minha vida. Impulsionador do Novo Tango, foi um excepcional executante de bandneón e um brilhante compositor que experimentou diversas áreas musicais e inspirou inúmeros músicos.
Adiós Nonino é, sem dúvida, o seu mais famoso tema, composto aquando da morte de seu pai, Vicente “Nonino” Piazzolla em 1959, a partir de uma melodia escrita algum tempo antes. Vinte anos depois, Piazzola diria “Talvez eu estivesse rodeado de anjos. Foi a mais bela melodia que escrevi e não sei se alguma vez farei melhor.”
Durante muito tempo recusou qualquer tentativa de colar palavras à sua obra-prima, mas um dia, já nos anos oitenta, a cantora argentina Eladia Blásquez apresentou-lhe uma versão com um poema que havia escrito, e ele, comovido, concordou. De referir que Eladia renunciou a quaisquer direitos autorais para não retirar dividendos da obra que nascera do génio do Mestre.
É esta a versão que aqui apresento, cantada pela argentina Katie Viqueira, do álbum “El Outro Lado” de 1999, e o poema de Eladia pode ser lido aqui.
Piazzolla pedia “que se escute a minha obra em 2020. E em 3000 também…” Há dúvidas?
2 comentários »
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Já falámos disso… O tango “fala connosco” de uma forma visceral, talvez. Há um arrepio que nos percorre, logo aos primeiros acordes, que nos prova a cumplicidade.
Talvez pela proximidade do mar e pelos cais de partidas. Daí o fado ser seu parente tão chegado. Porventura, irmão…
Com o Piazzolla e o seu bandoneón, então, é acrescido o gozo por ter tal “família”…
Um abraço.
comentário de OrCa — Mon 24-04-2006 @ 10:11
é lindo!
comentário de wind — Tue 25-04-2006 @ 03:06