historietas orgânicas I
1
A boca, cansada de dar à língua, mandou o pénis trabalhar.
2
«Modernices», murmurou uma orelha à outra quando soube do piercing no umbigo.
3
A perna exibia uma longa tatuagem de noite Versace.
4
Era inevitável que o pénis e a vagina se apaixonassem. Ambos existencialistas, partilhavam uma grande paixão pela língua.
5
«Quem anda à chuva molha-se», disseram os ossos à pele.
6
A retina, impressionada, viu as cataratas cristalinas.
7
Sempre que o coração sofria, o cotovelo tinha dores.
8
Nas noites de fim-de-semana a bexiga prepara-se psicologicamente para uma overdose de cerveja.
9
O cérebro comprara acções da clínica de oftalmologia. Os olhos viam E, mas ele informava €.
10
De vez em quando um dedo salvava as lágrimas do abismo.
3
Uma folha cai
na brevidade da tarde.
Todo eu sou Outono.
pico de audiência
– Sinceramente, se quer que lhe diga, estou-me a cagar para números!
– Mas os números são importantes. Fazem parte da nossa vida, homem…
– Talvez… Mas nunca gostei de números. No décimo ano até escolhi humanísticas por causa disso mesmo.
– Ora porra! Então, o que está aqui a fazer?
– Sei lá! Às vezes, um gajo faz coisas destas. Parvoíce, é o que é… Nem sei como me contive até agora.
– Só um momento… O telefone.
– …
– Hum, hum… Sim senhor… Certíssimo.
– …
– Ora, muito bem. O banco oferece-lhe três mil, seiscentos e trinta euros pela mala.
– Já disse que odeio números! Eu quero que o banco se foda mais a puta da mala.
micro-devaneios
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No Insónia
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