metamorfases

Mon 09-01-2006

diga lá outra vez

- Não acredito que tenhas feito uma coisa dessas, pá!
- Juro. Foi mesmo assim… Limpinho.
- És mesmo um gajo fodido…
- He he he… Sou, não sou?
- Pela frente não parece. Mas por trás vê-se logo…

publicado por fgs @ 01:17
na(s) fase(s) diálogos (im)prováveis

o enfermeiro

Lidava com os doentes com o maior dos à-vontades, independentemente da doença de que sofressem. Quantas vezes havia sido aspergido por vómitos fétidos, urina de odor insuportável, sangue de colorações suspeitas, sem o mínimo sinal de repulsa ou temor… Nada o perturbava e continuava firme e decidido no seu trabalho.
No dia em que lhe morreu o primeiro doente nas mãos saiu de rompante do quarto e voltou de luvas, touca e máscara, armado de todas as técnicas anti-sépticas que estudara. Interrogado pelos colegas sobre tão estranha atitude, balbuciou de olhos bem abertos:
– Não há doença que me assuste, mas a morte… A morte pega-se!

publicado por fgs @ 01:10
na(s) fase(s) canto do microconto

o espelho da alma


Eye, M. C. Escher, 1946

publicado por fgs @ 00:46
na(s) fase(s) fotografismos